
Ok, vou tirar isso da frente, agora: The War on Drugs lembra Bob Dylan. Lembra, mas não parece. Lembra como o Walkmen lembra Bob Dylan. Wagonwheel Blues (2008) possui as reflexões do homem comum, as esquinas tortas na dicção de cada palavra cantada/falada, e a estranha capacidade de sintetizar, em poucos minutos, o âmago dos Estados Unidos - você nunca os confudiria com uma banda inglesa, certamente. Mas tudo isso é reinventado para o tempo presente, com uma proposta sonora radicalmente distinta.
Adam Granduciel e Kurt Vile distanciam-se da aridez instrumental do folk. O banquinho logo é chutado; em seu lugar, uma pilha de amplificadores é ligada. As palavras, sempre tão precisas enquanto atalhos para uma imagem mental, não bastam. A história a ser contada aqui é maior, feita de verbais e não-verbais. A vastidão do interior americano não evoca silêncio, mas devaneios psicodélicos, imensidão e imersão. Cada camada sonora dos magníficos 10 minutos de Show Me The Coast representa um vizinho, uma lenda, uma angústia, um orgulho, uma esperança. Ser um caipira comum não é tão simples quanto parece.
[MP3: the war on drugs - show me the coast]
do álbum wagonwheel blues (2008)
Enquanto isso, a pegajosa Taking the Farm encharca as raízes do rock americano com um barril de fuzz. Copiar suas influências descaradamente = ruim. Expandi-las para algo novo, só seu = bom.
[MP3: the war on drugs - taking the farm]
do álbum wagonwheel blues (2008)
Um comentário:
Um dos discos do ano - e eu não conhecia!
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