31 de julho de 2008

estréia: vampire weekend - cape cod kwassa kwassa

não é carne nem peixe #3 - contra fluxo

entrevista com munhoz, do contra fluxo, por felipe gutierrez



O SuperAção está indo bem de vendas? Dá para comparar o número de discos vendidos com o de downloads em páginas oficiais? E vocês baixam música?


O disco está vendendo. O "bem" de vendas é relativo. Não temos distribuição, então o disco não chega a alguns lugares ou chega a um preço muito alto. Isso é um problema de logística sério que os downloads resolvem.

Não sei como fazer uma comparação com as vendas em relação a downloads.

Eu baixo música, mas tenho alguns critérios. Se eu ouço muito um disco, ou se acredito no trabalho da banda, cedo ou tarde compro o disco, nem que seja pra ficar enfeitando a estante.

Talvez eu esteja escrevendo bobagem, por não conhecer tão bem a cena de rap nacional, mas a impressão que tenho é que existem poucos grupos de rap com tantos membros. Como funciona a dinâmica do grupo? Como se decide qual dos quatro MCs vai cantar qual música?


A maioria dos MC's canta em todas as músicas. O que acontece é que a gente ou seleciona um instrumental e esse instrumental nos leva a criar um tema ou a gente cria um tema e procura um instrumental que case com o tema.

A gente normalmente discute em grupo qual é a intenção, pra onde a gente quer levar a música e aí, baseado nessa discussão, cada MC escreve sua parte. Refrões a gente faz em conjunto ou então alguém vem com uma idéia de melodia ou de letra e vamos acrescentando elementos em grupo.

Quem é seu crítico musical preferido?

Não tenho crítico musical preferido, na verdade para ser sincero, não acompanho com tanta seriedade a crítica musical.

A Rolling Stone veio pra ocupar um espaço que estava vago, e é um dos poucos veículos na imprensa escrita que existe crítica musical.

24 de julho de 2008

club de las serpientes #15 - arturo en el barco

arturo en el barco
Ah, filha, vai, sim, querida, claro, linda, oficina de artes, amiguinhos, importante na fase de adaptação. Ou acha que vão tocar a campainha perguntando por você? Besteira, gente nova, um monte de coisa boa, e você adora arte, não adora? No meio de um monte de criança estranha, falando rápido, que difícil, Deus, blá, blá, blá, o meu, agora é com a canetinha, se faz azul, ou deixo lilás, como faço para colar sem marcar as bolhas. Angélica, recém-chegada, tive tanta aula de inglês, mas, assim, confusa, tão difícil entender. Vai dar tudo certo, Angel, pode ficar tranqüila, a professora de olho violeta, cabelo longo, atriz de cinema. E vem a dúvida, como pergunto, se vão rir de mim, tem jeito que não consigo falar, som que cruza o dente e tropeça, todo encabulado. Empresta a tesoura, o papel amarelo da ponta, levanta, pequena, cheia de timidez, se eu posso? Arrasta o desenho até o chão, cheio de picote metalizado, é para terminar em paz, ufa, quase acabando, até foi bom, quietinha, nem prestaram atenção em mim, mas, não, que nada, antes do tempo, que vem o garoto loiro, Keith, o nome, acho, aponta pra baixo, olhando pra cima, mexe comigo, gelada, ai, passo, a ship?, que bonito, or a boat?, talvez dê certo. Tomara.
Rodrigo Maceira







[MP3: arturo en el barco - mi barco]
myspace.com/arturoenelbarco

não é carne nem peixe #2 - seabear

Entrevista com o Seabear, por Felipe Gutierrez.

seabear

Qual o lugar mais legal que vocês já tocaram?
A gente gosta muito de teatros. Talvez o Teatro Volksbuhne, em Berlim. A gente também tocou uma vez num enorme hangar de aviões na Áustria, para gente rica. A apresentação foi horrível, mas o lugar era incrível.

O som do Seaber é um pouco folk, vocês se vêem relacionados a outros artistas de folk moderno?
Não. Só com o Fleetwood Mac.

Vocês já se encontraram com o Grizzly Bear?
Sim, algumas vezes. A gente dividiu um 7" com eles num selo muito legal chamado Tomlab. A música deles é super boa.

Eu ouvi falar que é muito caro ficar bêbado na Islândia. É verdade?
Sim, muito caro. Mas a nossa moeda está em baixa nos últimos meses então está ficando menos e menos caro para os estrangeiros ficarem bêbados, pelo menos.







[MP3: seabear - libraries]
mp3 do dia - seabear

22 de julho de 2008

o mundo precisa de outra banda indie?

O Felipe me mandou esse artigo aqui, Does the world need another indie band?, do jornal inglês The Independent. Discordo dele. Com veemência.

Que preguiça. Esse raciocínio do "antes era bem melhor, bem mais autêntico" é falho desde o princípio. Primeiro, porque a memória da juventude sempre edulcora a realidade daquela época - você sempre se lembrará daquilo que mais importou, dos momentos felizes, da sua tentativa de algum idealismo.

Daí, você ainda comparará esse retrato fantasioso com a sua morna vida adulta, de obrigações, rotina, amizades protocolares, intolerância crescente e constante dúvida sobre a própria felicidade. Difícil adivinhar quem ganha a disputa, não? Essa conversa é recorrente - de trash 80s a maio de 68 - porque é assim que funcionamos.

Sempre existiram e existirão muitas bandas medíocres, descaradamente emulando o receituário do sucesso daquele momento, e outras poucas, de fato, indo contra a corrente e criando algo autêntico. Isso acontece também em tecnologia, arte, moda, produtos de consumo, etc. Mas é certo que a quantidade absoluta de bandas boas tem aumentado consideravelmente; o que mudou foi a proporção entre elas e as ruins. Tornou-se imperativo filtrar o que ouve, muito mais do que antigamente. Ao invés de 70% das bandas conhecidas serem ruins, agora são 97%. Você conhece muito mais bandas, e, ainda por cima, fica mais intolerante com o tempo. Mas nunca existiu tanta gente fazendo música, acho. Nem tanta coisa boa a ser descoberta. O MySpace pode ser agora do Rupert Murdoch, mas você acha que isso destitui de valor a música que os milhares de moleques por aí produziram toscamente e colocaram lá? Ela é menos indie por isso? A mudança do significado do termo "indie rock" mudou, e isso é claro para qualquer um, há tempos. Mas falar que não existe mais o significado antigo, ainda que com outra denominação? Sinceramente, acho um absurdo...

19 de julho de 2008

converse faz flashrock para comemorar dia do rock

Lembra que eu falei da promoção da Converse para comemorar o dia do rock? Parte da ação era um flashrock que rolou na virada do dia 12 para o dia 13 de julho, na Rua Augusta.

Ninguém sabia o que ia acontecer, mas vários curiosos apareceram para descobrir. Olha aí a comemoração:

18 de julho de 2008

made in paraguay #3: territorial pissings por liars


Eu tenho uma relação bem particular com o Nirvana. Quando era adolescente, eles eram a minha banda favorita e Territorial Pissings foi uma das primeiras músicas que aprendi a tocar no baixo.

Tudo bem que essa faixa é daquelas para se avacalhar quando tocada ao vivo, mas o Liars foi longe demais.

[MP3: Territorial Pissings - Liars]

17 de julho de 2008

lasers cegam ravers russos


A organização de uma rave na Rússia planejava fazer um show de lasers no céu durante a festa, porém, como havia a possibilidade de chover, eles cobriram o local com uma tenda. Encasquetados com os tais lasers, os animais decidiram apontá-los para a pista então. As doze pessoas que perderam 80% da visão provavelmente não acharam a idéia feliz.

Para piorar, o Aquamarine Open Air Festival, que rolou na cidade de Kirzhach, não tinha autorização para acontecer.

Ô, desgracê!

16 de julho de 2008

nintendo anuncia wii music, para o terror dos pais e vizinhos

Saxofone, flauta, guitarra, bateria, xilofone e até sino de vaca. Aparentemente, o Wii Music permitirá que você faça música com todos esses instrumentos (e outros), usando nada além dos seus movimentos. Parece divertido. O lançamento foi anunciado ontem, na E3, a maior convenção de entretenimento do mundo.

Nas mãos de um peraltinha, ou de um bêbado, ou de um peraltinha bêbado, esse deve ser, potencialmente, o jogo mais chato da história.

Trailer


Uma demonstração ao vivo do jogo, feita com o staff da nintendo - a mulher do xilofone é terrível!

mp3 do dia - ponytail

ponytail
Beg Waves, do Ponytail - mais uma banda de Baltimore! -, é música de louco, com a meticulosidade dos psicóticos, o fluxo de idéia dos esquizofrênicos, e a total ausência de parâmetros dos sociopatas. Loucura instrumental, porque Molly Siegel não canta; relincha.

Gente normal não concatena inflexões de funk, passagens aceleradas de math-rock, tangências pelo noise e o grind, e segmentos absolutamente "dançáveis". Pelo menos, não de forma tão natural, sem vincos ou dobras. Seríamos mais sistemáticos, uma coisa por vez: "agora, a parte rápida... E agora, a lenta".

Ice Cream Spiritual (2008) é quase art brut, atalho para outra frequência mental, uma porta aberta para uma mente radicalmente peculiar. Os momentos incompreensíveis são para muitos; a contagiante energia contida neles, para poucos. E o show deles, aposto, uma experiência para a vida toda.


[MP3: ponytail - beg waves]
do disco Ice Cream Spiritual (We Are Free, 2008)

15 de julho de 2008

made in paraguay #2: ready for the floor por duffy

Essa com certeza vai para o hall das bizarrices. Essa versão de Ready For The Floor, do Hot Chip, foi feita pela Duffy em uma sessão para a rádio BBC.

Como não sou muito fã da versão original sou suspeita para falar, mas até que gostei da repaginada que a Duffy deu na música.

não é carne nem peixe #1 – violeta ping-pong

Entrevistas são legais. Funcionam como pequenos momentos de intimidade com o seu popstar favorito, sem press releases ou outros falando sobre o que ELE, afinal, faz. O Dominódromo, assumo, carece disso – não passa de um falatório unilateral sobre terceiros. Convidei então o Felipe Gutierrez para entrevistar as bandas que ele achasse legais.

Li por aí que qualquer postagem em um blog tinha que ser curta. O Felipe é um rapaz sintético. E também é jornalista. E gosta de muita coisa boa. Isso é importante. Toda semana, ele fará uma entrevista nessa seção, Não é carne nem peixe. O nome foi ele quem deu. Não me pergunte.


não é carne nem peixe #1 – violeta ping-pong

Violeta Ping-Pong (http://www.myspace.com/violetapingpong)
Entrevista com Karen Jonz

violeta ping-pong

Você não vive da banda, vive? O que mais você faz?
Hell no! Aliás, dá pra chamar de banda? Parece que o mundo perdeu a noção.. Um monte de moleque doido que não tem a menor idéia do que tá fazendo e ainda tem gente que gosta. Bom, melhor pra mim que não tenho talento..
Ando de skate, desenho, escrevo e exponho por aí..

E os outros membros, quem são e o que eles fazem?

O Violeta Ping-Pong é eu o Klaus e o Cotinz. O Coto tem um cabelo engraçado, não escova os dentes, é sem noção, anda de skate, filma e tem um produtora e o Klaus é alto pacarallo anda de skate (pro), tem as melhores idéias, tb é envorvido no audiovisual.

Já teve show do Violeta Ping-Pong? Da onde vocês tiraram esse nome?
Teve uma vez todo mundo bêbado dentro dum quartinho em Bertioga. Foi lá que tudo começou. Foi lá que decidimos o nome também. Estavamos ouvindo Of Montreal e bebendo vinho "chapinha" há mais de 3 dias.

Vocês gostam de Beat Happening? E de Slowblow?
Podia fingir que eu sei do que vc tá falando. Mas vou procurar saber assim que acabar de responder essa entrevista.

Eu gosto das músicas que ouvi no Myspace porque são simples, parece ser bem próximo. Isso é intencional ou não?
Acho que não. Não temos muitos recursos, vamos gravando o que vai saindo. Ninguem toca porra nenhuma mas temos muitas idéias e caminhos. Eu estudei piano uma cara, meu pai toca vários instrumentos então tenho um pouco de noção. Mas exatamente por isso prefiro olhar o Coto e o Klaus criarem algo totalmente sem noção e depois começar a mexer em cima. Pra mim é difícil começar do zero, mas quando eles chegam com qualquer negocinho na hora eu já gosto e consigo imaginar como acrescentar naquilo.

Felipe Gutierrez

14 de julho de 2008

de onde veio isso? #7 + made in paraguay

Esse domingo nos propiciou um momento especial para o de onde veio isso?: não é que Porks & Beans foi usada como trilha de alguma matéria do Fantástico - ela foi a matéria. Partindo da idéia do vídeo da música - juntar celebridades da internet -, o segmento falou sobre as estrelas do YouTube lá fora e aqui.

weezer - porks & beans


Já teria sido uma noite especial, com certeza. A chave-de-ouro, entretanto, ainda estava por vir.

Mostrando a sua inegável sintonia com o Dominódromo, o Fantástico aproveitou o mote da nossa nova seção, Made in Paraguay, e comissionou o NX Zero para fazer uma versão tupiniquim de Porks & Beans!

nx zero - porks & beans


É fantástico!

mp3 do dia - deerhunter

deerhunter
Difícil de ouvir, hypado demais, conhecido somente por causa da aparência estranha do vocalista, acometido pela terrível Síndrome de Marfan. Que seja. O Deerhunter será uma daquelas bandas que deixam saudade: provavelmente acabarão cedo demais – por doença, projetos paralelos, shows exaustivos, incompreensão... -, mas já com um arco completo de evolução artística para deixar como legado. Essa é a história por trás de Microcastle.

Bradford Cox foi doutrinado na igreja das texturas e do shoegaze, mas, no início do Deerhunter, escondia sua herança atrás de uma fachada semi-niilista. O primeiro disco deles, Adorno, de 2005, era pós-punk ríspido, interessante, mas um tanto complicado pela complicação.

Dois anos depois, veio Cryptograms, uma audição ainda áspera, que valia a pena especialmente pela sua segunda metade, onde estavam, em sequência, três músicas imaculadas - Spring Hall Convert, Strange Lights e Hazel St -, ao invés do noise e a repetição que as antecedia. A dicotomia entre esses dois blocos era literal - o disco foi gravado em dois momentos distintos, a segunda parte sendo a mais recente. Estava claro que Cox começara a aceitar a sua essência.

Levou meses, e não anos, para confirmar as suspeitas. O EP Fluorescent Grey, lançado meses depois, e o disco do Atlas Sound, projeto-solo de Cox - que contava com duas das músicas mais belas de sua carreira, Recent Bedroom e River Card - eram o começo da resolução de toda a promessa perdida nos discos anteriores.

Finalmente, em Microcastle, todas as faixas são músicas, no sentido mais estrito do termo, com vocais, introduções claras e todo o resto do aparato pop. Mas isso não destitui o Deerhunter do seu valor; fascina enxergar o que eles podem fazer com texturas e melodias dentro da limitada estética de uma canção convencional. Cada uma tem a sua identidade, como uma espécie de impressão digital que se revela, nos fones de ouvido, em sulcos e saliências sonoros; tramas invisíveis, de confecção inimaginável, mas tácteis como veludo, camurça e seda

Trata-se do disco perfeito, com as melodias que logo agradam na primeira audição, e a displicente riqueza sonora e de referências que torna a repetição gratificante, ao invés de enfadonha. É música relevante, sem subgêneros ou termos mirabolantes. Qualquer outra descrição seria dispensável, mera auto-indulgência.

É para tentar propagar bandas assim que fiz esse blog.


[MP3: deerhunter - nothing ever happened]


[MP3: deerhunter - little kids]


[MP3: deerhunter - intro + agoraphobia] (juntei as duas faixas)


[MP3: deerhunter - these hands]

Uma tangente (ainda mais) pessoal
Somos todos idiotas. Vivemos de acordo com aparências e primeiras impressões, enquanto existe alguém como Cox, quase um monstro para os nossos olhos fúteis, mas que tem um todo um universo dentro de si, tão belo, lírico, e cheio da matéria com a qual se cria arte dessa delicadeza. Aquelas lições de moral do Gorpo, no final do He-Man, voltam à tona, contundentes como nunca.

estréia: css - left behind

estréia: radiohead - house of cards

membros do stars tem passados obscuros na tv e cinema

stars

Dia desses, estava lá passando pelas notícias no meu Google Reader, quando li no Tiny Mix Tapes que os integrantes do Stars tinham uma relação um tanto quanto curiosa com as artes cênicas.

A Amy Millan, que deve aparecer aqui no Brasil no show do Broken Social Scene, chegou a ser escalada para o elenco de Friends, para interpretar o papel da Monica. Depois de alguns episódios, ela desistiu e, como todos já sabem, o papel foi parar nas mãos da Courtney Cox.

Além dela, o Torquil Campbell participou de vários seriados, incluindo um episódio de Sex and The City, em 2000, e o Evan Cranley teve a honra de interpretar um guarda de polícia no episódio final de Seinfeld.

Já com o Chris Seligman, a coisa é diferente. Ele nunca pegou nenhum papel em seriados, mas corre à boca pequena que ele era diretor de filme pornô antes do Stars dar certo.

made in paraguay #1: bleeding love por wombats

A partir de hoje, sempre que puder, vou colocar aqui covers legais, bizarras ou engraçadas.

Para começar a seção, tem os Wombats tocando o sucesso - e provável hit pop do ano -Bleeding Love, da cantora Leona Lewis.

E os Wombats são ainda mais versáteis: esses dias, li que eles fizeram uma cover de Nothing Else Matters, do Metallica, no festival T In The Park! Infelizmente, não consegui o vídeo ou o MP3 para colocar aqui. Se rolar, eu posto.


feist participa de programa infantil

feist
E não é que 1, 2, 3, 4 da Feist ainda está rendendo comentários? Ela provavelmente nem aguenta mais cantar a música, mas, mesmo assim, acabou mudando a letra e fazendo uma versão especial para a sua participação no programa infantil Sesame Street.

O programa só vai ao ar em agosto, mas o vídeo já caiu no YouTube. Olha que bonitinha ela com os pinguins, as galinhas, o Elmo e toda a turma, ensinando as criancinhas a contar... até 4, é claro.


11 de julho de 2008

mp3 do dia - thee oh sees

thee oh sees
É impressão somente minha ou estamos passando por um revival do fuzz? No Age, Crystal Antlers, Times New Viking... As bandas são várias, e uma é melhor que a outra. Os meus favoritos são os Thee Oh Sees. Como esse The Master's Bedroom is Worth Spending a Night In é bom! A surpresa é encontrar, no disco mais rock n'roll de 2008, entre devaneios psicodélicos de guitarras toscas, riffs de surf music e a maior quantidade do supracitado fuzz na história da música, uma das melhores músicas pop do ano. A faixa-título surpreende pelas harmonias vocais e a doce e delicada melodia por trás da costumeira sujeira. Daria para cantar junto, se as vozes não estivessem tão trituradas.

O fuzz é tosco, mas o coração é sincero.


[MP3: thee oh sees - the master's bedroom is worth spending a night in]
do disco The Master's Bedroom is Worth Spending a Night In (tomlab, 2008)

the do = musical youth

Essa música aí embaixo, no MP3 do Dia, parece uma Pass The Dutchie dos dias atuais. Lembram disso?

10 de julho de 2008

mp3 do dia - the do

the do
Playground Hustle parece um estranho e desordenado grito de guerra, mas, ainda sim, é repleta de arroubos melódicos. Resume-se a percussão, instrumentos de sopro esparramados e um coro de crianças, deixando claro que "não tem medo de adultos", ainda que dentro de um contexto feito por e para adultos. Irônico. Mas talvez os dois membros do The Dø - a cantora, finlandesa, e o multi-intrumentista, francês - não sejam adultos convencionais... Ou nem tão adultos assim. Porque a ingenuidade da infância está lá, nota a nota, barulho a barulho, apropriando-se de quaisquer instrumentos ou objetos à vista, até o interesse passar para o próximo, dois segundos por vez.

E eu estou do lado das crianças - e do The Dø. Também não tenho medo de adultos. Eles só sabem falar de obrigações e chatices. Vivem da coleta de munição para uma estranha guerra de planejamentos, inseguranças, mentiras, rótulos e protocolos. Não entro no território deles por escolha pessoal, não medo. Prefiro viver de ingenuidade e primeiras intenções.


[MP3: the dø - playground hustle]
do disco A Mouthful (get døwn, 2008)

tá afim de ganhar um all star?


A Converse está fazendo uma promoção para comemorar o Dia Mundial do Rock, também conhecido como 13 de julho.

Para participar, é só entrar no site da campanha e contar o que você vai fazer para comemorar a data. Ou autores das melhores respostas ganham pares clássicos de All Star.

club de las serpientes #14 - diosque

diosque
Sei, pra ter vergonha, esquecer até, ou só lembrar em sonho, tamanho descontrole. Mas veio a palavra, difícil evitar. O professor de Física se preparando, última conversa no corredor, porta verde, pequena janelinha na altura dos olhos, ajeitando o zíper, meio redondo, Seu Barriga chamaram, comia trinta balas de mel durante a aula, confundindo meu sobrenome com o do Luis, na cadeira de trás. E suava horrores, a camisa lavada, marca preta em volta da unha, espiando o sutiã no ombro da Aline, rápido, salivento, a equação, Marcelo, aqui na frente, agora ou pra fora. E levantei desarmado, o resto medindo, babaca, falta de idéia, só se for vingança. Vingança, a noite inteira, seguinte, o preço do vexame, ridículo diante de todo mundo, sei lá que outra vez. Amanhã, armei, disfarço no intervalo, não saio, escondido, antes do gordo entrar, tem um primeiro "oi", a lista de chamada, lousa cheia da lição de História, o preparo da matéria, a dinâmica de sempre, teoria de uma lado, exercício do outro, estranhando, grudado no dedo, ai, fedor, cheiro medonho, porra, que merda é essa no apagador?
Rodrigo Maceira

myspace.com/diosque
[MP3: Diosque - Basural]

9 de julho de 2008

mp3 do dia - wire

wire
Qual seria a melhor maneira de envelhecer com dignidade?

1) ser coerente com tudo aquilo que te formou na juventude, sem passar o ridículo de tentar se adaptar ao mundo atual, ou...
2) na verdade, tentar se manter atual, corrente, arriscando-se sempre para não ficar estagnado em uma era passada?

Para ser sincero, nos meus planos de envelhecimento, tramados por uma cabeça de 26 anos - uma grande incoerência, eu sei... -, estava convicto em aderir à segunda opção. Mas ao ouvir One of Us, do Wire, comecei a considerar a primeira.

Ainda que tivessem músicas belíssimas como Outdoor Miner e The 15th, a essência do Wire sempre foi uma só: seca, minimalista, pulsante. E One of Us, feita com as mesmas ferramentas do passado dos ingleses, ainda soa contemporânea, e dá um couro em quase todas as atuais bandas de moleques tocando post-punk. Claro que essa proeza fica mais fácil quando, na sua juventude, você estava 20 anos à frente dos outros.

Logo, não estranhem se eu começar a me vestir, falar, escrever, dançar de maneira estranha. A vanguarda será o meu plano de previdência.


[MP3: wire - one of us]
do disco Project 47 (pink flag, 2008)

estréia: albert hammond - gfc

estréia: julian casablancas, n.e.r.d. and santogold: my drive thru

modest mouse mostra música nova em show

A faixa se chama Satellite Skin e deve entrar no próximo disco dos caras, que ainda não tem data de lançamento prevista. Eu achei a música bem meia boca. O que acharam?

estréia: the verve - love is noise

8 de julho de 2008

er... rata

1) Fiz uma edição apressada no texto do Mogwai - após "The Hawk is Howling (2008)", tirei a frase entre vírgulas "o disco novo do Mogwai", mas deixei uma delas para trás, que acabou por separar o sujeito do predicado. O horror!!!

2) Além disso, no Grouper, "emocionam" era "emocionais". Aproveitei e dei uma arrumada nas coisas.

Agora, os textos estão corrigidos, e o universo, em paz, afinal. Vocês estão liberados para lê-los e também ouvir suas músicas - muito boas, por sinal.

Dominódromo: servindo bem para servir de vez em quando.

estréia: brendan canning - hit the wall

7 de julho de 2008

mp3 do dia - grouper

grouper
Via de regra, não somos felizes, nem tristes. Ficamos no meio, balançando para lá e para cá, sem muita resolução. Por isso que os extremos emocionais na música, tão distantes da nossa constante apatia, nos comovem tanto. De um lado, há o carnaval, naquela alegria alienada e intransigente de cores, batidas e carne; do outro, há a música de introspecção, como a da senhorita Liz Harris, ou Grouper, equilibrando-se entre o ascetismo da ambient music a delicadeza melódica do dream-pop.

Dos dois extremos, é essa melancolia que, de fato, mexe comigo. Como ela é mais bela do que a marchinha, o samba, ou qualquer música deliberadamente feliz!

As razões desse masoquismo sonoro são incompreendidas, mas ele é um fato. Seu sentido surge, lá dentro, nos primeiros ruídos de Heavy Water/I'd Rather Be Sleeping. Fingir a felicidade não é mais necessário; a música já está a reverberar com a nossa real tristeza interna.

O corpo começa a reagir, as toneladas de areia começam a se deslocar, revelando templos, estátuas, artefatos das nossas origens sombrias. Por 3 minutos, nossas vísceras ficam lá, expostas e a céu aberto, em uma fragilidade que jamais permitimos a nós mesmos.

Essa música é individual, solitária, no quarto com porta fechada ou no fone de ouvido. A interrupção seria o nosso colapso. Não podemos nem ao menos ser vistos por outros enquanto nesse estado só nosso, de gestos, olhares e bocas que nunca revelamos. Seríamos vivisseccionados.


[MP3: grouper - heavy water / i'd rather be sleeping]
do disco dragging a dead deer up a hill (type records, 2008)

estréia: bloc party - mercury

estréia: late of the pier - heartbeat

4 de julho de 2008

css canta marrom bombom, "do sepultura"

club de las serpientes #13 - carrie


Durante a semana que passei no México, DF, conheci um grupo de garotas num bar perdido na Colonia Condesa. Brasil? Qué bien! E seguiram com pouco comum brasileiros por aqui, bem menos corriqueiro do que se imagina. Se é para pagar US$900, a gente prefere Miami. A comemorar el encuentro, no? Hay fiesta na casa de uma amiga aqui do lado, te parece? Ou join us, pen-de-jo, brincando, a morena de franja comprida, cruzada na testa. Aquí, la mayoría nos llevamos más o menos bien con el inglés. No tan bien con el portugués, risadinha. Sei, sei, pensei. Lembrei do disco da Carrie, que tinha em casa, 1981. Sí, sí, me da la sensación de que lo lleváis genial. Buey, qué acento español, he? Minha mãe e alguns anos em Vigo, expliquei. Vinha flertando com ela tinha tempo. Laura. Y usted? Bom, inventamos vários temas para conversa, adivinhei as músicas que tocavam na sala, percorremos os cômodos da casa, arrumei a franja mais de uma vez, bebemos mezcal, comemos doritos, dançamos "Djobi Djoba" e ouvi Austin TV, acredita? Trocamos duas ou três palavras sobre literatura, anotei o nome Gustavo Sainz, rimos, até sentir saudades, e terminamos a noite lá pelas 4h, passeando com a Tibita, a Yorkshire gorda da família. Gracinha.
Rodrigo Maceira

myspace.com/carriestatic
[MP3: Carrie - Feeding Little Dogs]

3 de julho de 2008

mp3 do dia - mogwai


The Sun Smells Too Loud... Apesar da sinestesia do nome, a primeira amostra de The Hawk is Howling (2008) tem nada de psicodélica. Ao contrário: mostra um Mogwai mais padronizado, eletrônico, quase krautrock. Agora, os sintetizadores roubam o show das guitarras, e a banda passa longe das explosões sônicas que os tornaram famosos.

Apesar do radicalismo na mudança - que, pensando bem, já estava anunciada em músicas recentes -. poucos segundos bastam para reconhecer a excelência do Mogwai. A faixa é uma extensão dos momentos mais sutis da banda, com um crescendo paciente, não de volume e distorção, mas sim, detalhes e acentos; após uma década ensurdecedora, o juízo, afinal.

Após tantas críticas negativas aos últimos discos (que eu adoro), o Mogwai está mais próximo de um Juan Stewart do que da cena que criou. E continua espetacular.


[MP3: mogwai - the sun smells too loud]

estréia: xiu xiu - master of the bump

of montreal dá uma dica de como será o seu novo disco


Quem está babando para ouvir o próximo disco do Of Montreal, Skeletal Lamping, já pode ter uma idéia do que vem pela frente.

O álbum só sai no dia sete de outubro, mas hoje, os caras divulgaram um teaser mostrando um pouco do material - e em se tratando de Of Montreal, mostrar o material pode ter vários sentidos. Mas pode ficar tranquilo: dessa vez, a amostra é somente musical.

Para ouvir, é só clicar aqui.

2 de julho de 2008

mp3 do dia - my psychoanalyst


Não importa como a gente começa, mas sim como termina, recomenda a sabedoria dos avós. E o começo de We Disagree, ainda que ótimo, torna-se pífio próximo à sua conclusão arrebatadora. Talvez ele sirva como uma expectativa posta lá, de forma calculista, para amplificar o efeito do arremate - a guitarra seca e restrita preparando o solo para o overdrive, como o "escada" para o cômico, a tela branca para o vermelho-sangue, a caracterização para o clímax. E os ingleses do My Psychoanalyst, que nem disco ainda têm, já mostram um domínio de uma das ferramentas mais efetivas do rock, da literatura, do cinema...

Mas como é essa bendita conclusão da qual tanto falo, afinal?

Bem, ela é tão espetacular que acaba por tomar metade da música, como um coda que não quer desvanecer. E a cabeça logo sacode, um pêndulo ao contrário, equilibrado pelos braços para o alto, varetas invisíveis para a corda bamba da pista vazia, sozinho, descontrolado, vodka na mão e fim de madrugada, pensando "imagina o que eu faria no show...".

É mais ou menos assim.


[MP3: my psychoanalyst - we disagree]

1 de julho de 2008

mp3 do dia - dosh


O som de um futuro que deu certo - as máquinas colaborando com humanos, ao invés de trucidá-los. Bits e dedilhados, todos prestes a sair de controle, senão pela batuta de Martin Luther King Chavez Dosh, Dosh para os íntimos, sujeito com precisão robótica e sensibilidade proustiana, líder de dois mundos; o John Connor de um musical da Broadway, que resolveu o conflito homem/máquina sem tirar o rifle do armário, regendo instrumentos, sintetizadores e um batalhão de convidados - entre eles, Andrew Bird e Will Oldham.

Jazz, hip-hop, eletrônica e batidas quebradas; Wolves and Wishes (2008), disco lançado pelo incrível selo Anticon, não fica nos pólos, mas divaga pelo meio, à la Manitoba/Caribou. É experimentalismo que vale a pena, e desperta a curiosidade sobre o segredo por trás de cada som. Até a Wired foi tentar descobrir o que passa nas músicas do rapaz. Aposto que saíram sem entender uma coisa.


[MP3: dosh - if you want to, you have to]

estréia: cansei de ser sexy - rat is dead

de onde veio isso #6

Foals - Red Socks Pugie

Tocada no Fantástico, durante alguma matéria sobre uma nova doença obscura, ou uma nova tendência da moda (de 5 anos atrás), ou alguma coisa relevante somente no Rio de Janeiro.

E ainda tem gente reclamando que o Antidotes era experimental demais. Até a família brasileira discorda de vocês.

Foals - Red Socks Pugie